22.11.07

 

Quem Defendemos Também nos Define


Os últimos episódios políticos que intensamente se viveram, por interposta Comunicação Social, a que alguns presunçosos lusos chamam media, pronunciando a palavra à inglesa ou mesmo escrevendo já mídia, como faz a imprensa do Brasil, desprezando a origem latina do termo, foram, muito provavelmente, a intervenção do rei de Espanha, na Cimeira Ibero-Americana, no Chile, sugerindo ao façanhudo Chávez que se calasse, quando este se descosia em insultos ao antigo Primeiro-Ministro espanhol, José Maria Aznar e a cena de arruaça em directo na TV, promovida por putativa Deputada venezuelana, apoiante de Chávez.

No primeiro caso, a nossa esquerda, a desportiva e a governamental, tomaram logo as dores do plebeu Chávez, supostamente ofendido, na sua dignidade de Chefe de Estado, pelo monarca espanhol.

Curiosa, a preferência que estas pretensas esquerdas têm por caudilhos militares palavrosos, logo que estes vociferem certos impropérios anti-americanos. Ei-los, invariavelmente, a rejubilar com as insolências do louco do Irão, com as diatribes de Fidel ou com as desbragadas bravatas de Chávez.

Quantas vezes mais teremos de assistir a enganos, monumentais fraudes ou descomunais embustes políticos para que toda esta gente ganhe definitivamente juízo na sua colectiva cabeça política ?

Este Chávez, cujo passatempo é insultar, lançar piadas, insinuações ou intimidações aos seus adversários políticos, quer agora convencer-nos de que ficou melindrado com a pergunta de Juan Carlos – Porque não te calas ? - a propósito da sua interminável verborreia.

Só podemos estranhar que nunca antes ninguém haja reagido tão rápida e espontaneamente como o rei espanhol ali o fez. Era mais que tempo de alguém sair ao caminho deste desbocado caudilho e a nossa estimada esquerda, a festiva e a governamental, imaginadamente socialista, deveria saber escolher melhor os seus heróis ou paradigmas.

Já no comportamento da Deputada apoiante de Chávez, na TV venezuelana, o caso toma foros circences, notando-se bem a afoiteza da mulher, que por certo actuará com as costas quentes em coutada privada do caudilho apalhaçado.

Esperemos que aqui haja mais decoro da nossa putativa esquerda fracturante, para não termos de a ver solidarizar-se com esta Maria da Fonte dos trópicos.

Um pormenor convém, no entanto, salientar. O actual PM espanhol, JL Zapatero, interveio em defesa do seu antigo adversário político, JM Aznar, reprovando frontalmente as insolências de Chávez. Tenho as maiores dúvidas de que Sócrates, em idênticas circunstâncias, fosse capaz de fazer o mesmo.

Em certas coisas, os espanhóis podem, de facto, dar-nos lições, sobretudo hoje, numa época em que absurdos e persistentes complexos nacionais nos reduziram à mais vergonhosa subserviência perante todos aqueles que nos ofendem ou nos desconsideram, como Nação ou como Estado. Dispenso-me de citar casos e circunstâncias, tão numerosos e vulgares eles se tornaram.

AV_Lisboa, 22 de Novembro de 2007

Comments:
Caro António Viriato

Estou de acordo consigo. E, como vivo na Madeira, o que se passa na Venezuela desperta-me muito interesse, dados os milhares de madeirenses que vivem nesse país agora desgraçado. Que não se iludam esses emigrantes. O seu futuro está mais que condenado. Se há coisa que o PR desse país da América Latina não tem é PALAVRA.
De qualquer forma, tendo todo o direito à indignação, não me parece que o Rei de Espanha tenha sido feliz com a sua intervenção. Quanto mais não seja, porque baixou ao nível de HC.
Quanto ao comportamento dos governantes portugueses, foi, como seria de esperar, uma vergonha. Faltou-lhes sentido de Estado, faltou-lhes frontalidade.
 
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